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Assis,09/08/2026

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Assis precisa de união acima das disputas partidárias

Reações contra a participação de filiados na gestão municipal podem transmitir a impressão de que interesses políticos estão acima das necessidades da cidade.

Redação Assis Alerta
Assis precisa de união acima das disputas partidárias Redação Assis Alerta

EDITORIAL | Assis precisa de união, não de patrulhamento partidário

Sinalizar punições contra um filiado por aceitar uma missão pública transmite uma mensagem prejudicial: a de que os interesses partidários podem estar acima das necessidades da cidade.

A decisão de Luiz Antônio Ramão de aceitar o convite para assumir a Secretaria Municipal de Governo provocou uma manifestação pública de seu partido, que afirmou não ter participado da escolha e anunciou que poderá avaliar medidas estatutárias contra o filiado.

É legítimo que qualquer partido mantenha independência política, fiscalize a Administração e faça críticas quando considerar necessário. O problema começa quando essa independência se transforma em tentativa de impedir que um de seus integrantes contribua com o município.

A Prefeitura anunciou Ramão para comandar a Secretaria de Governo com a missão de fortalecer a articulação institucional, melhorar o diálogo entre as secretarias, o Poder Legislativo e a sociedade, além de buscar maior eficiência administrativa. (Assis)

Diante disso, a pergunta necessária é: qual é o prejuízo para um partido quando um de seus filiados aceita trabalhar por Assis?

A cidade não pode ser transformada em campo de batalha permanente entre legendas. Depois das eleições, é preciso governar, reconstruir relações, superar diferenças e reunir pessoas capacitadas em torno do interesse público.

Ao sinalizar possíveis medidas contra um filiado simplesmente porque ele aceitou participar da gestão, cria-se um ambiente de intimidação política. Outros cidadãos preparados podem deixar de colaborar com o município por medo de retaliações internas, desgaste público ou perseguições partidárias.

A Constituição determina que a Administração Pública seja orientada pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Isso significa que a avaliação de um secretário deve ocorrer por sua conduta, competência e resultados — e não exclusivamente pela sigla partidária à qual pertence. (Planalto)

Fiscalizar é dever. Denunciar irregularidades também. Contudo, aceitar um cargo público não representa, por si só, abandono de princípios, concordância automática com todas as decisões do governo ou renúncia ao direito de crítica.

Condenar Ramão antecipadamente por aceitar uma missão administrativa passa a impressão de que a disciplina partidária importa mais do que a contribuição que ele poderá oferecer à população.

Assis precisa de maturidade política. Precisa de diálogo entre governo, Câmara, partidos, entidades e sociedade civil. Precisa que as diferenças sejam superadas quando estiverem em jogo o desenvolvimento econômico, a saúde, a educação, a segurança, a infraestrutura e a qualidade de vida da população.

Nenhum partido é maior do que Assis. Nenhuma disputa eleitoral pode ser mais importante do que o futuro da cidade.

A população espera resultados, não guerras partidárias. Quem assumir uma função pública deve ser fiscalizado com rigor, mas também precisa ter a oportunidade de trabalhar e demonstrar sua capacidade.

Assis deve estar acima das siglas, das rivalidades e dos interesses políticos individuais.





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