Fernando Sirchia volta a expor passado de jornalista em vídeo e caso levanta suspeita de discriminação
Durante transmissão ao vivo, Fernando Sirchia teria chamado Benito N. Spampinato de “ex-presidiário” e “pessoa perigosa”, citando fato de 26 anos atrás já quitado perante a Justiça e sem reincidência.
Benito Spampinato Vereador Fernando Sirchia volta a expor passado de jornalista em vídeo e caso levanta suspeita de discriminação
Benito N. Spampinato afirma que foi chamado de “ex-presidiário” e “pessoa perigosa” durante live feita pelo parlamentar; jornalista diz que permaneceu calado diante das acusações
Na tarde de quarta-feira, 08 de julho, o jornalista Benito N. Spampinato recebeu a informação de que o vereador Fernando Sirchia estaria em um estabelecimento da cidade de Assis, cortando o cabelo.
O fato chamou atenção porque o parlamentar estaria há quase quatro meses sob proteção do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas, após relatar ter sido ameaçado com emprego de arma no portão de sua residência. Desde então, Fernando Sirchia vinha participando de atividades legislativas em regime remoto, na modalidade home office.
Diante da informação, o jornalista se deslocou até o local e aguardou a saída do vereador do estabelecimento. A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao endereço. Com a chegada dos policiais, o vereador saiu do local com o celular em mãos, realizando uma transmissão ao vivo.
Durante a live, segundo relato de Benito, o vereador passou a atacá-lo verbalmente, utilizando expressões como “ex-presidiário” e “pessoa perigosa”, além de alegar perseguição. O parlamentar também teria acusado o jornalista de envolvimento em um processo de ameaça contra o presidente da Câmara Municipal de Assis, caso que, conforme mencionado, tramita sob segredo de Justiça.
Ainda durante a transmissão, Fernando Sirchia teria citado uma busca e apreensão realizada na residência de Benito, afirmando que o celular do jornalista havia sido levado pela polícia e questionando se o aparelho que ele segurava naquele momento seria o mesmo ou um celular novo. O vereador também teria mencionado a existência de medida cautelar envolvendo Benito e o presidente da Câmara.
Segundo Benito Spampinato, ele permaneceu calado durante praticamente toda a fala do vereador. O jornalista afirma que abriu a boca apenas duas vezes: uma para dizer que estava em via pública e outra para esclarecer que não é mais funcionário público, já que, durante a live, o vereador teria repetido várias vezes que ele seria servidor público.
O episódio ganha ainda mais relevância porque, segundo registros apontados por Benito, essa não teria sido a primeira vez que Fernando Sirchia expôs sua vida pessoal em ambiente público. Em 16 de abril, durante fala na tribuna do plenário da Câmara Municipal de Assis, o vereador teria solicitado informações sobre a vida de Benito Spampinato, incluindo antecedentes criminais e atestado de idoneidade moral.
Para o jornalista, a iniciativa teria tido a finalidade de expô-lo diante das câmeras da TV Câmara, perante a sociedade assisense, utilizando sua história pessoal como forma de constrangimento público.
O ponto central da discussão é que o fato mencionado pelo vereador se refere a um passado de aproximadamente 26 anos, já quitado perante a Justiça em 2013, sem qualquer reincidência desde então. A utilização desse passado, de forma pública e reiterada, levanta um questionamento sério: trata-se de crítica política ou de discriminação contra uma pessoa que já cumpriu suas obrigações legais?
No Estado Democrático de Direito, nenhuma pessoa deve ser condenada eternamente por um erro do passado quando já respondeu perante a Justiça. A ressocialização, a dignidade humana e o direito de reconstruir a própria vida são princípios fundamentais que precisam ser respeitados, especialmente por agentes públicos.
Quando uma autoridade política utiliza sua visibilidade, a tribuna parlamentar ou uma transmissão ao vivo para relembrar fatos antigos da vida de um jornalista, com aparente objetivo de desqualificá-lo perante a opinião pública, a conduta precisa ser questionada com responsabilidade.
O caso também toca diretamente na liberdade de imprensa. Jornalistas têm o direito de acompanhar fatos de interesse público, principalmente quando envolvem agentes políticos. A presença de um profissional da imprensa em local público, por si só, não configura perseguição. Da mesma forma, autoridades públicas podem se manifestar, mas devem respeitar limites éticos, legais e institucionais.
A situação envolvendo Fernando Sirchia e Benito Spampinato, portanto, abre espaço para uma reflexão necessária: até que ponto um vereador pode usar fatos antigos da vida de um jornalista para expô-lo publicamente? E quando essa exposição ultrapassa o debate público e passa a representar discriminação, constrangimento e tentativa de intimidação?
O espaço permanece aberto para manifestação do vereador Fernando Sirchia, da Câmara Municipal de Assis e dos demais citados.



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